Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON

José da Silva Bento

José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
Estão aqui reunidos todos os artigos antigos publicados no meu blogue desde 1/3/2008.

Os Regionais são a base do sistema competitivo

17/6/2010

Ontem foi publicada neste blogue mais uma colaboração recebida.

Desta feita pela Associação de Badminton de S. Miguel – Açores acompanhada de várias fotos de atletas de Badminton durante a realização dos seus Campeonatos Regionais.

Segundo informação daquela Associação participaram 70 atletas de 12 dos 13 clubes nela filiados, apurados através do ranking do Campeonato de Ilha.

Este Campeonato de Ilha é composto por sete provas para cada uma das 2 zonas (14 torneios), apurando depois os atletas para o regional.

Segundo esta Associação, a qualidade técnica e táctica dos atletas tem vindo a melhorar relativamente aos anos transactos, o que demonstra que os clubes têm trabalhado bem e que, num futuro próximo, os Açores certamente serão bem representados a nível nacional, como aconteceu no Circuito Nacional 2009-2010 com o atleta Joaquim Pavão da Academia de Badminton Tetrapi.

Perante esta realidade mais uma fez se comprova o que venho defendendo há muitos anos de que os Regionais deveriam ser a base do sistema competitivo, tanto para Não Seniores como para Seniores e igualmente para Veteranos.

Em S. Miguel existem portanto 14 Torneios Regionais e mais um Campeonato Regional.

Felizmente que há regiões onde é prática normal a realização de Campeonatos ou Torneios Regionais ao longo de uma época, como são os casos de S. Miguel – Açores, da Madeira, de Faro, da Costa Azul (Lisboa e Setúbal), da ABDLS (Lisboa e Setúbal) e recentemente em Aveiro, pelo que tenho conhecimento.

Mas há ainda muitas regiões onde eles não existem.

Naqueles que se vão realizando alguns fazem-se de forma inapropriada, ou por serem feitos à pressa, num só dia e sem atenderem por vezes à característica principal dos regionais que é serem feitos por séries sucessivas permitindo aos atletas fazerem muitos jogos e terem a possibilidade de jogarem com jogadores de melhor nível mas especialmente com jogadores de nível médio e até baixo que é a situação mais normal de quem começa a praticar.

Desta maneira os novos praticantes vão começando a testar as suas capacidades com atletas mais evoluídos e/ou que praticam há mais tempo a modalidade e a pouco e pouco começar a gostar da modalidade através da evolução que vão atingindo.

Nem todos demonstram de início grandes qualidades para jogar Badminton mas por vezes muitos deles, por interesse e muito trabalho conseguem superar os que à partida são desde logo rotulados de futuros grandes jogadores.

Reparem no que aconteceria em S. Miguel se não houvesse todo este tipo de torneios e campeonatos regionais e igualmente nas muitas regiões onde eles não se realizam e mais uma vez reforço de que estou a falar para todos os escalões e categorias.

Os atletas, de qualquer nível e de qualquer escalão e categoria que não têm a possibilidade de competir regionalmente, têm actualmente apenas de aproveitar as provas existentes no calendário oficial da FPB, ou seja as que contam para os respectivos Circuitos Nacionais.

E os de S. Miguel logicamente não viriam propositadamente ao continente para jogar nos Circuitos Nacionais ou então só viriam em número reduzidíssimo.

Sem competir ou desistiam ou não progrediriam naturalmente.

E o que acontece aos jogadores, especialmente os de nível mais fraco ?

Fazem normalmente maiores deslocações, gastam mais dinheiro e fazem poucos jogos, muitos deles em sistema a eliminar à 1ª. derrota.

Situação que se vem verificando há muitos anos:

Quem está a começar a jogar, não seniores ou seniores, na próxima época já não se federa, pois o sistema competitivo não lhes é aliciante.

Os mais antigos, continuam a jogar, sendo que cada vez mais em menos provas até que acabam por desistir a curto prazo também por falta de aliciantes dos torneios.

Muitos atletas federados, talvez mais de metade, não entram em torneios do Circuito Nacional e nalgumas regiões nem em provas regionais pois elas não existem.

É esta a razão por que digo que o sistema competitivo actual não serve nem os atletas, nem os clubes (e as provas de equipas sem qualquer interesse a não ser para que os pouco habituais clubes ganhem mais uns títulos nacionais sem qualquer qualidade e com o mínimo de três inscrições para poderem ser realizados) nem o desenvolvimento da modalidade.

Só não vê quem não quer !

E pelos vistos há já muitos anos que cada vez existem mais dirigentes com falta de vista … ou melhor com falta de visão … para a gestão do Badminton nacional.

Os regionais não substituem as provas do Circuito Nacional como também não atrapalham a realização das provas especiais tais como os actuais Torneios de Divulgação da FPB que se destinam à captação de praticantes escolares.

Todos eles se completam e deveriam formar o verdadeiro sistema competitivo oficial.

E entre os regionais e as provas do circuito deveria existir igualmente outro tipo de torneios que eu defendo, que são os ZONAIS.

Não confundir com os denominados ZONAIS DA FPB pois eles são apenas as fases de apuramento para as fases finais das provas do Circuito Nacional de Não seniores.

Defendo campeonatos independentes e separados que se completam e dão a possibilidade de participação a todos os níveis dos diversos atletas DE QUALQUER ESCALÃO OU CATEGORIA !

O sistema competitivo deve ser feito a pensar não só nos não seniores ou nas elites mas em TODOS !

Cada tipo de torneios deverá ter por isso regulamentação própria que não prejudique mas complete a realização destes vários tipos de provas: DIVULGAÇÃO - REGIONAIS - ZONAIS – CIRCUITO NACIONAL – NACIONAIS e provas de EQUIPAS para todos os escalões mas para irem ser feitos ao longo da época e não a correr num só dia ou num só fim de semana.

Dirão alguns que são muitos campeonatos e não há quem os realize.

Não são muitos mas são vários e destinados a classes diferentes de nível.

Os regionais para os mais fracos, os zonais para os de nível intermédio e os do Circuito para os melhores.

Os responsáveis de cada clube inscreveriam logicamente os seus atletas nas provas mais adequadas ao seu real nível e assim acabariam os desníveis actualmente existentes e números por vezes exagerados de atletas com poucas qualidades para participar nos torneios do Circuito.

Quanto à sua realização não poderão ser decerto organizados apenas pela FPB.

Aproveite-se convenientemente toda a estrutura da modalidade e descentralize-se.

A FPB deve ter a preocupação de coordenar todo o trabalho elaborando convenientemente os regulamentos (EM CONJUNTO COM TODA A ESTRUTURA) incluir as datas de realização no seu calendário geral de provas e registar todos os resultados.

E até podia fazer uma “gracinha” se centralizasse os pontos num ranking nacional, aliciante que agradaria a todos os atletas.

O resto do trabalho seria feito nas bases e por aqueles que muito gostam de ver crescer a modalidade.

Se há bons torneios particulares e bem organizados (Oeiras, Évora, Coimbra, etc.) sem a presença dos habituais dirigentes federativos é prova evidente que tal será possível.

Mude-se a política actual de gestão desportiva e aproveitem-se aqueles que querem ajudar a modalidade, localmente, mas com efectivo apoio de quem está na FPB, independentemente de eles serem “pessoas da modalidade” ou “pessoas não gratas de quem gere a modalidade”.

Defendo isto há muitos anos, tenho apresentado muitas propostas neste sentido, tenho manifestado a minha disponibilidade para participar em reuniões de trabalho com outros que como eu pretendem situações idênticas mas até hoje não fui contactado.

Nem para defender as propostas que apresentei no último Fórum da FPB, nem para fazer parte do Conselho Técnico ou em reuniões por este realizadas, nem pelos dirigentes actuais federativos, nem pelos responsáveis técnicos federativos actuais que vão realizando mini reuniões e passando documentos particulares a alguns “amigos” ou “clubes que os defendem” para garantirem o seu apoio na altura em que sapientemente irão apresentar as correctas alterações ao sistema competitivo da próxima época.

Os métodos são os mesmos utilizados e pelas mesmas pessoas que realizaram as alterações na época passada para apenas os não seniores.

Lembram-se das deficiências que foram na altura apresentadas pelos denominados “críticos” ?

E as inúmeras correcções que os que estão na FPB fizeram depois tomando em conta, vale-se isso, as muitas críticas que foram sendo apresentadas ?

Parece que não serviu de exemplo.

Os métodos do “esconde que vem aí gente que não convém saber na fase de elaboração” mantêm-se.

Assim só resta que se mudem os métodos ou substituam esses “importantes” técnicos e os “dignos” dirigentes !

O Badminton deve sobrepor-se a esses “pseudos“ grandes elementos que tentam convencer-nos de que estão a realizar um excelente trabalho mas que cada vez mais provam que estão nos lugares incorrectos fazendo por isso muito pouco de bom para a modalidade !

Por falta de capacidade ou teimosia !

José Bento

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