
Caro Amigo Zé Bento.
Antes de mais, obrigado pelo teu esforço de manteres uma Página Web aberta a toda a família do Badminton, de modo a poderem expressar o que lhes vai na alma sobre o panorama Nacional.
Segundo, obrigado pelo seu conteúdo, pois muito embora a minha primeira passagem pelo Badminton fosse curta, por motivos de saúde, conseguiste-me avivar a memória após estes longos anos e perceber o quão importante, foram para mim, esses momentos, que com saudade os recordo aqui.
Terceiro, obrigado por tudo que deste e tens ainda para dar, ao Badminton Nacional.
Quarto, obrigado por continuares a ser o Zé Bento que eu conheci nos anos setenta e me teres servido de inspiração com o teu excelente Badminton, bem como, e não posso deixar de mencionar, o do Luis Quinaz, que eram na altura, os meus Ídolos.
No entanto e como sou uma pessoa do Badminton, vivo também com intensidade o que se passa de bom e o de menos bom, no nosso panorama.
Como está a iniciar-se mais uma época e é ano de eleições na Federação, deixo aqui algumas ideias, quiçá, poderão vir a servir de base para melhorar o nosso Badminton.
Como a base de todo o nosso Badminton, quer queiram, quer não, não podemos ficar indiferentes ao Desporto Escolar, já que é lá que normalmente tudo acontece. São mais de mil Escolas a partir do 2º Ciclo a leccionar a modalidade na disciplina de Educação Física e a própria competição Escolar a despertar mentes e a lançar novos talentos, que muitas vezes não são aproveitados.
Já era tempo de existir uma parceria efectiva entre o Desporto Escolar, Federação, Associações, se estas se mantiverem no novo Regime Jurídico das Federações e os Clubes.
Esta parceria, não pode ficar apenas pela formação de treinadores de nível I, por parte da Federação aos Docentes da Disciplina de E.F. e estes apenas interessados em ter mais um diploma para lhes engrandecer o curriculum.
Temos visto até agora, os dois organismos praticamente de costas voltadas, quando deveriam era estar, de mãos dadas. É sempre bom saber que o Desporto Escolar movimentou mais de sete mil alunos ou que a Federação realizou mais de 20 momentos dedicados à iniciação da modalidade.
É preciso interligá-los e tirar o verdadeiro aproveitamento de uma regalia, que algumas modalidades desportivas, procuram e ainda não conseguiram, que é a modalidade ser leccionada na disciplina E.F..
Para bem do Badminton, Ministério da Educação/Desporto Escolar e a Federação deveriam juntar-se e colaborarem a 100%. Aqui entre eles, nasceria a parceria.
Depois era por em sintonia as respectivas DREN’s e as Associações Regionais, de modo a que, os núcleos das Escolas ponham os seus alunos mais talentoso a evoluir nos Clubes, começando mais cedo a competir a um nível mais elevado, não descorando contudo a sua própria competição Escolar.
Só assim poderíamos dentro de alguns anos, ter um acrescento significativo de jogadores e de qualidade, que tanta falta nos faz. Se isso acontecesse, não seria preciso a FPB interditar a participação de atletas federados a partir de determinado ranking, quando estes, muitas vezes procuram participar em mais torneios, face à escassez de competições e que muitas vezes esses rankings não reflectem a qualidade dos mesmos.
Claro que para determinadas mentes, este conceito não serve, já que, quando confrontados com dados que rejuvenesceriam o nosso Badminton, preferem a qualidade à quantidade, esquecendo-se que uma nunca poderá funcionar sem a outra.
Toda a gente sabe que para a China atingir o nível actual no Badminton, desporto nacional, tem cerca de 60 milhões de praticantes. Mais ou menos 5% da população.
Naturalmente que não é termo de comparação, já que seguindo o mesmo critério, teríamos de ter perto dos 200 mil.
Hora, não é o que se pede. Mas sem falar de exageros, podemos muito bem pedir, pelo menos numa primeira fase 5 mil jogadores e numa segunda, 10 mil jogadores federados.
Não são números irrealistas, já que, o desporto Federado e Escolar estão a movimentar por ano cerca de 8500 atletas/ano.
Basta para isso que se trabalhe com um objectivo comum.
No que concerne à competição federada e já que falamos de escassez de torneios, fica aqui uma sugestão para que dentro dos moldes actuais, poderia incrementar mais a vontade de jogar e por sua vez o aumento da qualidade.
No nosso sistema actual de competição, temos visto a FPB a cortar a pernas a muitos atletas, quer por imposição dos regulamentos quer mesmos por vontade própria, já que e no meu entender, a avaliação de jogadores feita nos últimos anos, quando da subida à categoria B, carece de uma imparcialidade, derivada do não acompanhamento no terreno dos respectivos atletas.
Mais se deveria mudar. E por quê? É simples.
Tem cabido à FPB decidir sobre estes pedidos, quando os respectivos treinadores, conhecedores desses atletas assim o pretendem. Isto deveria ser condição válida para que a FPB o aceitasse de imediato, pois quem os acompanha todos os dias, tem uma visão muito mais profunda sobre o valor dos mesmos.
Quantos atletas ainda não explodiram, porque nunca tiveram a oportunidade de rodar mais? Como todos sabemos, os atletas não são todos iguais nem têm a mesma carga de treinos, como os treinadores também diferem nos seus métodos.
No meu entender, nenhum atleta a partir de Sub 17 deveria ser impedido de jogar no escalão sénior.
E se a Elite é para Elite, a categoria B, tem sido para até agora e no caso dos não seniores, só para alguns e não quero entrar, se é justa ou não a sua subida nos moldes existentes.
Já que o regulamento actual define que cabe à FPB proceder a essa escolha, quando solicitada, seria muito mais real ser esta a avaliar durante a época todos os atletas, o que infelizmente não faz.
Assim, a abertura das categorias D e C, seriam uma mais-valia para aqueles que procuram evoluir dentro de um sistema de competição dotado ao fracasso se não for mudado o mais rapidamente possível.
Nesta situação, mesmo que a FPB não estivesse inteirada do real valor do atleta, classificava-o numa categoria mais baixa, aguardando assim a sua prestação para uma melhor avaliação, subindo-o a uma categoria superior equivalente ao seu real valor.
Está também a FPB, a correr um risco enorme, ao direccionar apoios a um número muito baixo de atletas no que confere à competição além fronteiras.
Tem cabido na grande maioria dos casos, a ser os próprios jogadores a fazer das tripas coração, para mostrarem que estão vivos e também têm uma palavra a dizer, tendo outros ficado pelo caminho.
Veria aqui com muitos bons olhos, que o novo Seleccionador Nacional, seja ele Nacional ou Estrangeiro, tenha um papel mais interventivo, não ficando apenas pelo Centro de Estágio, mas trabalhando directamente com os Clubes e estando presente nos Torneios, pois só assim se poderá fazer uma avaliação coerente dos seleccionados.
Pois se mantiver o mesmo tipo de acção do anterior, que por opção própria ou por não lhe terem sido dadas condições de trabalho, corremos o risco de voltar a ouvir alguns dos jogadores mais habituados a estas andanças, a demonstrar desinteresse total pela monotonia dos estágios.
Tem-se verificado que infelizmente, a FPB não tem apostado na vertente de pares, no que respeita a representações Nacionais de Equipas.
Isto por sua vez reflecte-se no resultados alcançados, bem como no panorama Nacional, já que assim e salvo muito raras excepções, os pares não são encarados dos mesmo modo como é encarada a participação em singulares.
Não precisamos de ser grandes estrategas da modalidade, para vermos que, o grande cancro das nossas Selecções são os pares, já que a grande maioria dos nossos bons jogadores de singulares, não estão vocacionados para jogar pares ou simplesmente não sabem.
Quando por sua vez jogadores dotados para jogar pares, não são aproveitados. Se queremos melhorar as nossas prestações além fronteiras, temos de as corrigir e isso cabe em primeira instância à FPB apostar, para que os clubes dêem continuidade.
Porque não ter-mos um Circuito Nacional de Equipas e não ficarmos cingidos aos Campeonatos Nacionais?
Se a memória não me falha, em tempos, havia competições de equipas durante toda a época, trouxeram novas duplas, só por si valorizavam a competição e aos olhos dos média só ganharíamos com isso.
Por falar nos média, muito tem a FPB que fazer nesse sentido. No meu entender é incompreensível que o pouco que se tem feito na divulgação da modalidade, tenha sido quase toda via jogadores, em páginas web, blogs, jornais e televisão.
Gostaria de ver um papel mais interventivo da FPB neste campo, não só porque é uma obrigação, mas como um motor de divulgação da modalidade, com uma nova imagem na Internet mas também nos Jornais e TV’s.
Lamentavelmente e no que respeita à TV, quase todos os anos, vemos reportagens dos nossos Internacionais de Portugal, em diferido e quando o fazem, é com uma ou duas semanas de atraso. Porque não termos também uma transmissão em directo como outras modalidades têm, algumas com menos expressão que a nossa, pelo menos uma vez de 15 em 15 dias no que respeita ao nosso campeonato?
Durante os Jogos Olímpicos temos sido brindados com algumas transmissões directas, o que muito embora seja pouco, tem despertado para novos jogadores bem como reacende a chama daqueles que têm estado afastados há vários anos, por motivos profissionais.
Aqui vai também depender do que a FPB entender qual o seu papel no meio disto tudo.
Temo-nos deparado com condições abaixo do desejado para a prática da modalidade. Pavilhões com correntes de ar, infiltrações de água, pisos inadequados, marcações em muito mau estado, luz directa imprópria, falta de espaço para jogadores permanecerem, falta de condições para o público, etc.
Quando das candidaturas, era dever da FPB, mandar verificar as instalações que são propostas para as realizações dos torneios e caso não estivessem dentro de normas que é desejável, as organizações teriam um prazo para apresentar as respectivas rectificações.
Só após isso é que seria dada autorização para se realizar o evento.
Penso que seria útil a aprovação de mais volantes par não ficarmos cingidos aos Yonex e aos SnowPeak.
A concorrência é salutar, obriga a qualidade a baixo preço.
Se a BWF aprova alterações às leis do Badminton, estas entram quase de imediato em vigor em todos os países, porque é que os volantes aprovados por esta, não estão automaticamente aprovados também em Portugal?
Outra situação, que deveria ser revista com uma certa brevidade, de modo a ser apresentada com a devida antecedência, é os locais de realização dos C. Nacionais.
Quase sempre chegam em cima da data do fecho de inscrições, o que muitas vezes criam, grandes embaraços aos clubes face a condições financeiras e aos jogadores para se prepararem antecipadamente e coordenarem com os seus estudos ou trabalho.
Uma outra situação que caberia à FPB incrementar, era a preparação das respectivas épocas, com um ano de adianto, já que a grande parte dos clubes que estão interessados na organização de provas do circuito nacional, não as podem marcar, já que a nível autárquico, é feito para cada ano civil e não sabendo das datas antecipadamente, perdem-se todos os anos potenciais organizadores.
Para terminar, não gostaria de esquecer as Associações de Classe, já que no novo Regime Jurídico das Federações, vão ter um papel muito importante.
Esta importância não se poderá pautar por interesses de terceiros, mas sim ajudar a melhorar o nosso Badminton.
Zé Bento, haveria muitas outras coisas para comentar, no entanto deixo aqui algumas ideias e espero que o teu blog continue a contribuir para um espaço de debate salutar.
Um grande abraço do amigo,
José Manuel Almeida
Resposta de José Bento:O José Manuel Almeida é conhecido de toda a gente ligada ao Badminton nacional e não só.
E só ele, com este artigo de opinião, tão simples, mas tão valioso, me leva a acordar um pouco da situação em que me encontrava, completamente envolvido por uma situação de hibernação, sem ofensa, em que a maioria dos elementos mais ligados à modalidade estão, uns a acomodarem-se nas suas posições mais fáceis e interesseiras, outros já sem esperanças de que algo de melhor irá acontecer na nossa modalidade e os restantes, que querem ainda colaborar, completamente abandonados.
Mas este simples texto alerta-nos a todos para quantas coisas simples podiam e deviam ser alteradas por quem dirige o Badminton Nacional e acompanhadas pela restante estrutura da modalidade.
Este marasmo em que todos ou quase todos nos encontramos, sentido por mim neste meu blogue, é o espelho do que se verifica na nossa Federação, continuando a debitar soluções pontuais e de rotina, a descurar na totalidade as ajudas e opiniões apresentadas por altura da realização do último Fórum Nacional e a prescindir de elementos que seriam muito úteis à modalidade apenas por eles serem de outra cor de opinião, que põem o Badminton à frente dos seus interesses próprios e que não temem em criticar os dirigentes quando têm melhores alternativas para o desenvolvimento e crescimento da modalidade.
Poderão dizer que se calhar esta altura não é oportuna para fazer mudanças sabendo-se que em Dezembro irá haver eleições federativas.
Mas até aqui tem havido um contracenso.
Então porque é que se anunciam, após o termo da última época, a dissolução da equipa técnica, a abertura de candidaturas para um novo Treinador Nacional e agora a nomeação de um Secretário Técnico, tudo medidas de fundo ?
Enquanto outras federações desportivas já vão aproveitando este interregno para fazerem eleições ou apresentarem e discutirem com toda a sua estrutura os seus projectos para o próximo mandato de quatro anos, sem se preocuparem com as alterações que porventura a nova Lei de Bases trará para todas, a direcção da Federação Portuguesa de Badminton continua calada, não dialoga com as suas Associações e Clubes, nada diz quanto aos seus objectivos e mais importante nada informa do que pensa alterar quanto a novas provas regionais ou zonais a fazer, aos contactos com os responsáveis pelo Desporto Escolar, à forma como vai apoiar os melhores atletas e as suas jovens promessas, como pretende exigir e apoiar as diversas Associações Regionais e os seus Clubes, não explica o envolvimento que tem vindo a ter na formação de novas Associações de Classe, como está o Novo Pavilhão de Badminton das Caldas da Rainha e qual o aproveitamento que lhe irá dar e igualmente os custos que irá trazer à modalidade e ao seu desenvolvimento, pelo menos enquanto não for amortizado (todos sabemos o que custou ao desenvolvimento do Badminton a construção da actual Sede).
E agora esta notícia da nomeação de um Secretário Técnico, (não está aqui em causa a pessoa escolhida) sem divulgar as suas funções e qual o seu enquadramento com o futuro Treinador Nacional, se é que ele ainda virá a ser nomeado.
Por toda esta forma de actuar da Direcção da Federação e pelo silêncio que a vai envolvendo, estranho silêncio esse nomeadamente da parte das Associações, principais prejudicadas neste processo que se queria de desenvolvimento da modalidade e para o qual o seu trabalho é indispensável, se vai consolidando a ideia de que afinal tudo está bem, tudo está bem controlado, e que apenas alguns, poucos, estamos num grupo de "oposição" a ver ou a interpretar mal a forma como a modalidade vai sendo dirigida.
Considero este texto simples, de uma pessoa como o José Manuel Almeida, que tanto tem dado ao Badminton e em especial ultimamente com o garante da qualidade do material desportivo e dos excelentes apoios concedidos para o desenvolvimento dos atletas e da modalidade e dado excelente colaboração à actual Direcção, mas que não tem qualquer relutância em vir e querer ajudar ainda mais apresentando críticas construtivas e alternativas para que o Badminton Nacional melhore efectivamente, como uma verdadeira pedrada no charco e dismistifica de uma forma clara o que é ser a favor do Badminton acima de tudo.
Aproveitemos todos como exemplo este simples texto crítico para provar que há muitos meios humanos com ideias semelhantes a estas e que o Badminton nacional precisa de as aproveitar e que os Órgãos Sociais do Badminton Português terão de compreender que estão eleitos para servirem a modalidade e que não devem pensar que são eternos e que só as suas opiniões é que estão correctas.
Pelos resultados obtidos ao longo dos anos se tem provado que as decisões tomadas poderiam ter sido diferentes e bem melhores e que os subsídios atribuídos pelas entidades oficiais não têm tido a correspondência devida.
Neste tempo de crise nacional e mundial que parece ainda não ter chegado ao Badminton, poderemos a qualquer momento vir a ter uma surpresa.
Se as entidades oficiais resolverem tomar medidas para a atribuição de subsídios consoante o número de atletas e clubes federados e analisarem a forma como a estrutura da modalidade se vai degradando, nessa altura provavelmente irão tomar-se outras medidas e se calhar os actuais dirigentes já quererão sair e apresentar justificações que não serão decerto as mais próprias.
Se os actuais dirigentes estão tão interessados em se manter nos seus cargos e estão convencidos de que efectivamente estão a prestar um bom serviço à modalidade então que se preocupem em consolidar a actual estrutura de Associações e Clubes e empreguem as verbas que lhe são destinadas em projectos e no cumprimento de objectivos prévios a definir em conjunto com as entidades que estão ligadas ao Badminton e aproveitem o melhor possível todos os meios humanos que lhe estão ligados.
Obrigado Zé Manel por me teres enviado este Artigo de Opinião que me dá uma esperança para que outros como tu continuem a acreditar que é possível melhorar a nossa modalidade desportiva mais querida e deixem o silêncio e os seus preconceitos e venham apresentar as suas opiniões, mas apenas com um pedido - que coloquem o Badminton à frente de tudo.
Espero sinceramente que estas tuas opiniões não fiquem a fazer companhia àquelas que foram apresentadas e estão publicadas no site da FPB e que aguardam que os seus dirigentes as possam aproveitar para que o desenvolvimento da modalidade possa ser ainda melhor.
José Bento