Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON

José da Silva Bento

José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
Estão aqui reunidos todos os artigos antigos publicados no meu blogue desde 1/3/2008.

Associação de Árbitros - A Novela continua !

Mais um Capítulo desta Novela se verificou recentemente, com a realização da Assembleia Geral da APJAB para eleição dos seus Órgãos Sociais, realizada em Coimbra.

A liberdade em que vivemos e as actuais regras permitem a legalização das associações que os portugueses queiram criar.

Quando elas são efectuadas para ultrapassar problemas difíceis de resolver ainda se toleram, mas há outras perfeitamente injustificadas como é o caso da criação da
segunda Associação de Árbitros, a APJAB.

Várias duplicações de Associações já se vinham a verificar no Badminton português.

A fim de resolver os problemas existentes quando a direcção da ABDLS – Associação de Badminton dos Distritos de Lisboa e Setúbal da altura, para além de não ligar aos clubes mais representativos da época, mantinha um tratamento uniforme de actuação para com todos os seus associados, foi necessária uma nova associação para o distrito de Lisboa, a ABCA – Associação de Badminton da Costa Azul.

Os distritos de Lisboa e Setúbal passaram a estar representados simultâneamenten por duas Associações Regionais de Badminton e os poucoos clubes e jogadores filiados encontram-se actualmente divididos pelas duas entidades.

Como a ABA – Associação de Badminton do Algarve, a determinada altura só tinha um clube filiado e assim não justificava a sua existência e por outro lado não mostrava qualquer interesse na divulgação da modalidade em todo o Distrito de Faro, surgiu a necessidade de criar uma nova associação, a ABDF – Associação de Badminton do Distrito de Faro.

Desde essa altura e por mérito da ABDF tem-se verificado um grande desenvolvimento do Badminton no distrito de Faro, mantendo-se a ABA apenas com um clube, a CHELagoense.

Deste modo o distrito de Faro tem neste momento 2 associações regionais de Badminton.

Muitos ou quase todos os que estão ligados à modalidade, incluindo os seus Órgãos Sociais, acham mal e criticam esta situação que é efectivamente uma aberração, mas as leis do país permitem a livre associação e os Estatutos da modalidade não o impedem.

Os problemas locais que lhes deram suporte ficaram aparentemente resolvidos mas a modalidade ficou nitidamente prejudicada em termos de estrutura.

Nunca foi resolvida a situação e não houve interesse em mudar os Estatutos impedindo essa duplicação e dado que outras associações também têm vindo a decair na forma como funcionam, ou reduzindo o número abaixo do mínimo de entidades filiadas, como foi o caso da de Santarém, da do Alentejo e da de Coimbra, a estrutura do Badminton português está a precisar de uma mexida urgente.

Mas analisando as razões para o fracasso de muitas das associações regionais é fácil chegar-se a duas principais:

1-A Direcção da FPB tem vindo a atribuir-lhes subsídios ridículos para o seu normal funcionamento, comparativamente com os valores que lhe são atribuídos pelos organismos oficiais e a falta de apoio e de incentivos concedidos às Associações por parte da FPB é por demais notória.

2-Os dirigentes dessas Associações têm vindo cada vez mais a deixar de prestar um serviço que justifique o seu funcionamento e o seu desinteresse e falta de motivação é igualmente real perante as manifestações recebidas e manifestadas pelos dirigentes federativos contra aquelas que ainda vão tentando manter-se em actividade, chegando por vezes a nem sequer manter um relacionamento institucional respondendo às suas solicitações.

Sem querer aprofundar esta situação o mal global já é da responsabilidade de ambas as partes.

Mas quem está a perder com tudo isto, não há dúvidas que é o Badminton.

A actual estrutura da modalidade está assim ferida de morte e a forma como se realizam as Assembleias Gerais da FPB que é o local oficial onde as resoluções são tomadas e que é composta pelas diversas Associações, logicamente também sofrem do mesmo mal e estão por isso igualmente muito doentes.

Algumas das poucas Associações que se apresentam nas Assembleias Gerais fazem-no de uma forma menos própria que é a de delegarem os seus votos em dirigentes actuais para se representarem.

Desta forma está a perpectuar-se uma Direcção da FPB que a não ser que os seus dirigentes renunciem aos seus cargos, o que não se vislumbra, que, independentemente dos seus resultados serem bons ou menos bons a favor do incremento da modalidade, se irá manter por muitos mais mandatos.

Tal como foi dito no Fórum Nacional de Badminton, a nova Lei de Bases e o novo Regulamento Jurídico para as Federações Desportivas tem precisamente em atenção acabar com estes dois factores que por sinal se aplicam à nossa Federação, ou seja:

1-Proibir a representação das diversas Associações em elementos que lhe são alheios e em especial em dirigentes federativos;

2-Limitar o número de mandatos dos dirigentes evitando a manutenção de um poder longínquo e a sua remodelação por novos elementos com ideias inovadoras e que tragam melhorias para o desenvolvimento da modalidade.

Enquanto não sai a nova Lei de Bases e as Regras de funcionamento para as estruturas das Federações Desportivas não se alteram vão surgindo situações que não resolvendo os problemas graves existentes ainda fragilizam mais essas estruturas.

Há tempos e bem na minha opinião foi criada a primeira associação de classe na nossa modalidade, a ANTB – Associação Nacional de Treinadores de Badminton, composta por nomes sonantes do Badminton Nacional e que foi ratificada em AG da FPB.

Por razões que não é oportuno agora salientar esta Associação não tem apresentado trabalho válido em prol da sua classe, limitando-se a estar representada nas AG da FPB e a tomar posições que são totalmente desconhecidas dos seus associados, se é que existem actualmente filiados.

Há relativamente pouco tempo surgiram mais duas associações de classe, a de Jogadores – APJB – Associação Portuguesa de Jogadores de Badminton e a de Árbitros e Juízes – APAB – Associação Portuguesa de Árbitros de Badminton.

Ambas devidamente legalizadas, compostas igualmente por nomes consagrados da nossa modalidade, e que aguardam a sua ratificação em AG da FPB, qundo esta muito bem assim o entender.

Estas duas associações surgiram no meu entender para tentar colmatar o fraco funcionamento e o pouco apoio que tanto o sector de arbitragem como os principais jogadores consideram haver na actual estrutura federativa.

Como tal a Direcção da FPB considerou que a criação destas associações era uma forma de afrontação dos seus mentores ao trabalho que já vêm realizando à vários anos e que pelos vistos consideram que estão a efectuá-lo bem no sentido do progresso da modalidade.

Ficaram igualmente alarmados com os possíveis votos contra nas próximas AG, numa nova Lei de Bases e Regime Jurídico para as Federações e demais regulamentação, o que iria atribuir às Associações de Classe um superior valor em termos de votos àquele que as actuais associações regionais têm presentemente e resolveu, contrariamente aquando da criação da ANTB, em que apoiou a sua iniciativa, actuar de forma a impedir ou a complicar a sua criação e possivelmente até a sua ratificação em futura AG federativa.

Esta reacção de forma tão estranha levou a que primeiramente não informasse os endereços dos árbitros e juízes solicitados pela Direcção da APAB para poder efectuar o envio de uma carta a comunicar a sua existência e a participar a realização das eleições.

Apesar da forma negativa como a sua criação foi recebida pela Direcção da FPB a APAB comunicou no seu blogue a realização das eleições para os seus Órgãos Sociais permitindo a candidatura de possíveis listas.

Em vez de os prováveis elementos discordantes formarem a sua lista e apresentarem-se normalmente a sufrágio, num processo que sempre foi apresentado e divulgado de forma clara e transparente sucedeu o impensável.

Paralelamente e dias antes da realização das primeiras eleições da APAB surgiu uma Associação denominada APJAB – Associação Portuguesa de Juízes e Árbitros de Badminton que enviou uma carta a todos os elementos da arbitragem constantes na FPB e assinada em representação dos seus promotores, pelo Sr. José Louro, que por sinal é actualmente o presidente do Conselho de Arbitragem da FPB.

Essa carta dava a conhecer a constituição desta associação que tinha como morada precisamente a da Direcção da FPB e apresentava como objectivos muitos dos pontos que o próprio Conselho de Arbitragem da Federação tinha como missão efectuar e que não tem conseguido realizá-los ao longo dos vários mandatos.

Relembro o que já publiquei anteriormente neste blogue e que foi, perante a falta de informação nessa carta, o envio pessoal e identificado de um mail pedindo esclarecimentos a fim de tomar a decisão de me inscrever futuramente, como membro a que tenho pleno direito.

Recebi uma resposta em 27/5/2008, que dada a sua forma bisarra, aqui volto a apresentar:


Exmº. Senhor.,

Acusamos a recepção do vosso E-Mail do qual tomamos a devida nota.

A comissão instaladora da APJAB não tem intenção de prestar esclarecimentos de carácter estrutural e legal a elementos estranhos a esta comissão, nem desfazer duvidas caluniosas que V. Exª. pretende esclarecer em proveito próprio.

Os objectivos estão definidos e pretendemos que, sem prejuízo dos intervenientes e sem interesses pessoais, os Juízes e Árbitros de Badminton possam manifestar o interesse de livre associativismo na sua Associação de classe APJAB.

Em relação a outros juízos de valor, escusamo-nos de proferir qualquer comentário.

Sem mais
A Comissão instaladora


Como este mail não veio identificado, contrariamente à carta inicial que foi assinada pelo Sr. José Louro, e o seu conteúdo tão estranho não me parecer que fosse da sua autoria, pelo que conheço da pessoa do presidente do Conselho de Arbitragem, e continuar a desconhecer a composição da sua afinal Comissão Instaladora e não de uma Associação já existente, só podia pensar que ele tivesse sido feito por alguém ligado à FPB.

No mês passado tivemos conhecimento, através do site oficial da Associação Portuguesa de Juízes e Árbitros de Badminton, que se tinha realizado a AG daquela Associação, realizada em Coimbra e que tinham sido eleitos os seguintes Órgãos Sociais da APJAB:

Assembleia-geral
Presidente: António José Castelo Branco
Vice-Presidente: Joaquim Albano Almeida Ribeiro
Secretário: Joaquim Manuel Simões Gonçalves (actual director da FPB)

Direcção:
Presidente: José Elísio Louro (actual Presidente do Conselho de Arbitragem da FPB)
Vice-Presidente: Celso de Magalhães Baía
Secretário: Vera Mónica Laço Louro
Vogais:
João Manuel Lopes Fragoso
Diogo Nobre de Barros Ribeiro da Silva
David José da Costa Gonçalves

Conselho Fiscal:
Presidente: Celisa Mónica Ferraz de Freitas Monteiro
Vogais:
Nuno Manuel Gouveia Baía
Acácio Manuel Lomba Ramos (actual director da FPB)

É interessante verificar no seu conjunto o número de elementos pertencentes aos actuais Órgãos Sociais da FPB e do número de familiares envolvidos.

Como curiosidade acompanha a notícia no seu site uma foto onde se encontram os Srs. José Louro e Joaquim Lopes (actual director da FPB).

Confirma-se e concluiu-se assim o apoio incondicional prestado desde o seu início por parte da Direcção da FPB e de alguns dos seus Órgãos Sociais a esta nova Associação de Classe e que tal como as outras se pressupunham serem neutras e independentes de quem dirige a modalidade.

Concluindo este meu artigo acho que todos são livres de pertencerem às Associações que entenderem mas não me parece minimamente correcto nem como melhor exemplo para quem dirige a modalidade a atitude de alguns actuais dirigentes federativos seguirem esta forma de actuar.

No mínimo deveriam ter seguido uma forma idêntica e isenta para com todas as Associações de Classe, demarcando-se delas o mais possível, o que infelizmente não se verificou e que ainda se tem agravado.

Perante esta realidade passam a existir em simultâneo 2 Associações para a Classe de Arbitragem.

Sobre este novo Capítulo desta Novela e parafraseando alguém meu amigo que me disse uma vez que

“As acções ficam para quem as pratica”

elas merecerão um dia a devida resposta e o veredito de quem gosta verdadeiramente da modalidade e não se serve dela para se evidenciar ou tirar algumas vantagens.

Para terminar e agora relativamente à Associação de Classe dos Jogadores quero referir neste momento apenas que se esperam notícias da Associação legalmente constituída e com os seus Órgãos Sociais devidamente eleitos, a APJB – Associação Portuguesa de Jogadores de Badminton.

Os elementos que a compõem representam na sua maioria o futuro desta modalidade e por isso se espera sinceramente muito deles.

Oxalá eles consigam ter a força de vontade suficiente para ultrapassar as pressões a que têm sido sujeitos e concretizem assim os seus e nossos anseios.

Veremos se a Novela dos Jogadores vai ter mais audiência que a dos Árbitros...

José Bento

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