Muito Urgente a Reorganização do Desporto Nacional
Felizmente que a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos ficou pelo 28 pontos, longe dos pretendidos 60, pelo Comité Olímpico de Portugal, situação que alertou para a necessidade urgente de se reorganizar totalmente o desporto nacional, pelo que só quando o poder político trabalhar seriamente e com objectivos bem definidos, o país desportivo poderá ser conduzido para outra realidade.
A população portuguesa não tem vocação para a prática desportiva, calculada em apenas 5% o que é francamente muito pouco, mas sim estamos bem mais sensibilizados, para a “futeboleira”, onde cada vez mais a comunicação social nos conduz para uma “Ditadura Futebolística”.
Não pondo em causa a vontade dos atletas, o seu empenhamento e dedicação será no entanto muito difícil ultrapassar determinadas situações relacionadas com a nossa pouca cultura e atitude desportiva.
Temos atletas talentosos mas sem qualidades para a alta competição e outros super talentosos, estes com qualidades psicológicas e atitude para enfrentarem as exigências competitivas ao mais elevado nível, pelo que é perfeitamente natural a crítica de Vanessa Fernandes, "A alta competição não é brincadeira nenhuma.
Não é fazer meia dúzia de provas, andar a receber uma bolsa e está feito.
Muitos não vêem bem a realidade das coisas.
Não têm a noção do que isto significa.
Se calhar por termos facilidades a mais"
Poderemos referir a importância das medalhas olímpicas, para os países, que com uma população inferior à de Portugal 10,4 milhões e duas medalhas, mas que tiveram uma actuação em Pequim bem melhor.
A Noruega com 4,4 milhões de habitantes e 10 medalhas, a Dinamarca com 5,4 milhões e 7 medalhas, a Geórgia com 4,3 milhões e 6 medalhas, a Suiça 7,3 milhões e 6 medalhas e a Suécia 8,9 milhões e 5 medalhas, mas são países com forte vocação para a prática desportiva, com governos que criam condições para que a sua população juvenil tenha uma educação desportiva suficientemente bem trabalhada, o que não acontece com Portugal, onde o Desporto Escolar está longe dos parâmetros necessários para que tenha muitos mais atletas com qualidade internacional.
Participámos nos Jogos Olímpicos com atletas em 17 modalidades, que na sua maioria não têm número elevado de atletas de forma a provocar uma maior e qualificada competitividade interna.
No caso do badminton é por demais evidente, que com 1301 atletas filiados na época desportiva de 2007 / 2008, dos quais estão incluídos os jogadores veteranos, seniores C e D, tendo a Associação de Badminton da Região Autónoma da Madeira 344 filiados e a Associação de Badminton de São Miguel / Açores 275, sem qualquer contacto competitivo para além da Ilha de São Miguel, mas ainda por na última época disputarem os Campeonatos Abertos, pontuáveis para os Rankings Nacionais de Seniores / Elites apenas 8 homens e sete senhoras não poderemos ter qualquer ilusão para conseguirmos muito melhores prestações internacionais.
Nos clubes, por um desequilíbrio de qualidade entre os jogadores, as sessões de treino são pouco competitivas para os melhores.
No Algarve até temos um caso bem elucidativo, Pedro Martins, o júnior número um da Europa e Alexandre Paixão, ordenado no 62º do “Ranking Mundial”, residem na mesma rua distanciados 50 metros e sendo amigos não treinam juntos, porque os seus clubes não se entendem …
Para concluir e como observação, antes da revolução de 25 de Abril, todas as povoações do país tinham uma igreja e um campo de futebol, 34 anos depois continuamos com as mesmas igrejas, mas com muitos mais campos de futebol … mas as mentalidades são as mesmas …
Resposta de José Bento:
Mais um texto que merece ser bem lido e melhor interpretado, pelos nossos governantes desportivos e pelos governantes da nossa modalidade.
É com estes números estatísticos que se justificam alterações urgentes a toda uma política desportiva nacional e à política desportiva para a nossa modalidade.
Propostas para as mais variadas correcções estão em poder da Direcção da FPB provenientes de diversos elementos ligados à modalidade, esperando a intervenção de toda a estrutura do Badminton português.
Mas para mudar é preciso querer, é preciso vontade política, é preciso acreditar nas pessoas, é preciso gostar verdadeiramente do Badminton.
José Bento
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