A existência de Normas Federativas é uma situação normal, positiva e absolutamente necessária a um bom funcionamento da actividade de uma qualquer modalidade desportiva.
Em tempos antigos e durante muitos anos existiram os chamados Cartões de Jogador, em cartolina, e onde no início de cada época a FPB colocava um carimbo pela sua renovação com a categoria respectiva.
Há alguns tempos atrás a Direcção da altura resolveu substituir esses cartões em cartolina por uns mais modernos, de plástico, mas utilizando o mesmo sistema, ou seja, o seu envio por parte do atleta, no início da época, devolvendo a FPB logo após a sua actualização.
Nessa altura a FPB criou em simultâneo o mesmo sistema para Treinadores, Árbitros e Juízes-Árbitros e Dirigentes de Clubes e Federativos, e como havia elementos que exerciam em simultâneos várias dessas tarefas, emitia um cartão por cada uma delas.
Esse sistema funcionou normalmente durante alguns anos até que a certa altura começou a haver falhtas dos serviços da FPB e nem sempre eram devolvidos alguns cartões e no início da época seguinte os seus donos não podiam cumprir com as Normas existentes de enviar os seus cartões porque não estavam na sua posse mas sim de posse dos serviços da Federação.
Até que chegou a uma altura em que deixou pura e simplesmente de haver envio de cartões e sua devolução, por falha dos serviços federativos.
Para esta época de 2008/2009 a FPB resolveu alterar as suas Normas e no que diz respeito a Cartões decidiu congregar num único as várias funções de um mesmo elemento, colocando um sistema de vinhetas para cada uma das funções.
Esta solução parece-me mais simples, mais correcta e mais funcional evitando nalguns casos um número exagerado de cartões de um mesmo elemento.
Só que de novo houve uma falha de quem decidiu alterar as Normas Federativas e implantar este novo sistema de controlo.
A época já tinha começado oficialmente ainda com o sistema antigo e em 7 de Outubro apareceram as novas Normas.
Alguns clubes a funcionar com o sistema antigo foram de repente confrontados com o novo sistema o que provocou naturais dúvidas.
Isto tudo quase em cima da realização dos primeiros Campeonatos da época e com a FPB a exigir o cumprimento rigoroso das novas Normas com medidas drásticas para a participação nos mesmos.
Logicamente havendo alterações às Normas, por muito pequenas que fossem, levam naturalmente a algumas dúvidas que as partes envolvidas naturalmente deveriam resolver, principalmente com bom-senso e alguma tolerância, pelo menos num poeríodo de adaptação.
Neste processo de mudança e pela implementação tão abrupta houve para além de dúvidas naturais erros dos Clubes, Associações, Jogadores e demais Agentes Desportivos.
Mas naturalmente também houve erros dos serviços da FPB, devidamente comprovados.
Só que os serviços da FPB não assumiram alguns dos seus erros e a necessidade de tornar mais claras algumas das dúvidas surgidas interpretando todas as falhas como sendo culpa dos elementos desportivos, o que não foi correcto.
Este processo provocou recentemente uma troca de correspondência entre e ABCA – Associação da Costa Azul e o seu Presidente de Direcção, Sr. João Nero e os serviços da FPB e especialmente do seu Director dos Serviços Administrativos, Sr. Joaquim Lopes.
Esta troca de correspondência foi acompanhada por alguns elementos, entre eles eu, por informação prestada pelas duas partes envolvidas.
Assim todos os intervenientes estiveram a par das dúvidas surgidas e colocadas pela ABCA e os respectivos esclarecimentos por parte da FPB.
Esta troca de correspondência pareceu-me um pouco estéril e em moldes que ultrapassam um normal funcionamento de duas entidades que se deviam respeitar melhor, mas acima de tudo deviam desligar-se de aspectos que mais parecem provenientes de problemas pessoais do que de questões meramente factuais.
A FPB tem de ter a humildade de reconhecer alguns erros neste processo implentado um pouco à pressão e ao qual não conseguiu responder com perfeição (lembro que os primeiros cartões até foram devolvidos no momento e local do início dos campeonatos, de forma a que os atletas pudessem participar) e aí surgiram então as faltas dos cartões relativos a alguns treinadores e agentes da modalidade que não puderam participar por falta de documentação.
Alguns dos elementos federativos chegaram a informar no local que se não havia cartões o erro era dos seus clubes e não da FPB o que se veio a comprovar que não era correcto na sua totalidade e noutros casos era por motivos de interpretação diferenciada entre a FPB e as entidades envolvidas.
Na minha interpretação deste processo penso que a ABCA não foi muito clara a expôr as suas dúvidas nem relatou situações comprovadas de erro federativo que se verificaram com alguns dos seus clubes e a FPB também não admitiu os seus possíveis erros nem que lhe colocassem algumas dúvidas pertinentes ou não.
Este é um tema que serve de (mau) exemplo para a forma como se vão relacionando algumas Associações e seus dirigentes com a Direcção da Federação e os seus dirigentes transparecendo confrontos individuais em vez de naturalmente as suas instituições se respeitarem mutuamente ao serviço do Badminton nacional.
Provou-se aqui neste “conflito” que algo tem de mudar.
Estou à vontade para me pronunciar neste (mau) relacionamento entre uma Associação e a Direcção da FPB porque enquanto estive na Direcção da FPB e à frente do Departamento de ligação com as Associações Regionais nunca deixei de responder a qualquer carta enviada pelas Associações independentemente do seu conteúdo e com a isenção e transparência devida, independentemente de a Federação achar que essas Associações tinham ou não razão nas suas exposições.
Muitas das situações que ainda hoje surgem devem-se ao facto de nem sempre os serviços da FPB darem resposta às várias solicitações que as Associações enviam.
Estes casos até chegaram a ser colocado numa AG pela ABCAque apresentou queixas de falta de resposta à sua correspondência por parte da FPB.
Esta situação é de todo inadmissível.
E daí começou um diferendo que já se arrasta há alguns anos entre as duas entidades, diria eu mais entre dirigentes, mas colocando mal não só essas entidades como os Clubes, jogadores e demais elementos pertencentes à ABCA que têm sido prejudicados, mas mais ainda a modalidade ficou bastante afectada.
São estes problemas que levam a que dirigentes que prestam o seu melhor em prol do Badminton se venham a cansar e a afastar-se da modalidade.
É por isso que cada vez mais temos menos dirigentes capazes de levar o Badminton a um nível de desenvolvimento que todos pretendemos.
Resumindo e concluindo parece-me que a Direcção da Federação e os seus dirigentes devem aceitar todas as dúvidas que surjam e lhe sejam colocadas pela estrutura existente e procedam sem quaisquer reparos aos esclarecimentos o mais preciso possível até que todos fiquem bem identificados.
Se houver necessidade de rectificar alguns aspectos menos precisos das Normas actuais (e eu penso que há necessidade de isso ser feito e colocarei essas situações noutro momento) que a FPB o faça.
As Associações e a ABCA em particular deverão apresentar sem qualquer relutância e outras intenções as suas dúvidas e sugestões de melhoria do sistema em defesa dos seus clubes e do Badminton.
E a Direcção da FPB deve responder a todas elas sem qualquer animusidade.
Mas não se esqueçam TODOS de ter humildade de reconhecer os seus erros, as suas atitudes menos correctas e utilizar o BOM-SENSO absolutamente necessário para colocar o Badminton à frente dos seus próprios interesses.
José Bento
Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON
José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
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