Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON

José da Silva Bento

José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
Estão aqui reunidos todos os artigos antigos publicados no meu blogue desde 1/3/2008.

Arquivo do blogue

Sistema Competitivo do Badminton em Portugal

O sistema competitivo nacional deve atender a todos os atletas federados independentemente das suas categorias e escalões etários.

Um atleta ao filiar-se na Federação pretende logicamente participar nas competições existentes.

A Federação prepara e divulga no início de cada época o Calendário Oficial de Provas para todos os atletas federados.

Um atleta filiado numa Associação Regional poderá participar nas provas previstas nesse Calendário Oficial da Federação e noutras que a sua Associação organize bem como nas diversas competições particulares de organização de clubes ou outras entidades.

Cada atleta, de acordo com o seu valor, deverá escolher as provas que entender, pertencentes não só ao seu escalão etário como a outros escalões etários que a regulamentação permita.

O mesmo acontece aos atletas de uma determinada categoria poderem igualmente participar noutras categorias, nos caos em que são permitidos.

Os atletas que optam por acumular a participação noutras categorias ou escalões etários fazem-no porque têm capacidades ou condições económicas que o permitem.

No entanto há atletas federados em todos os escalões etários e categorias que, por não terem essas capacidades e/ou outras condições, limitam-se a competir num número reduzido de provas.

E ainda há os casos de atletas, igualmente de todos os escalões etários e categorias, que não têm mesmo condições ou possibilidades de se deslocarem para fora dos seus habituais locais de treino.

Para todos estes grupos de atletas deverá a Federação e todas as Associações Regionais fazerem os melhores esforços no sentido de organizarem provas a eles destinadas.

E aqui é que começa a situação que merece ser bem reflectida por todos os responsáveis.

É que infelizmente, por culpa de todos, essas condições não lhes são poroporcionadas .

E o que acontece ?

Há atletas que se desinteressam de ser filiados porque entram em poucas provas ou porque estas não lhes são aliciantes, dependendo obviamente das suas possibilidades ou objectivos.

Outros ainda, por saberem as condições do sistema competitivo existente, nem sequer se querem filiar na Federação, por não valer a pena e na melhor das hipóteses ficam-se por participar nos treinos que o seu clube lhes proporciona.

E em casos especiais desistem pura e sisplesmente da prática do Badminton e dedicam-se a outra modalidade desportiva que lhe ofereça melhores condições competitivas.

Todas estas situações têm levado, ao longo dos anos, ao abandono de muitos atletas de todas as idades.

E muitos dos possíveis novos atletas nem sequer chegam a filiar-se na Federação.

Todos reconhecemos que é muito importante criar novos aliciantes para que haja mais atletas federados e uma forma de o fazer é reorganizar o actual sistema competitivo para que isso se verifique.

O que propomos, então ?

A análise separada, em cada uma das categorias e escalões etários, do tipo, do regulamento e do número de competições existentes.

As medidas a tomar não poderão ser idênticas para todos os escalões etários e categorias.

E o país competitivo do Badminton que temos deve igualmente e prioritáriamente ser estudado.

Nesse estudo deve igualmente ser prioritária a análise do sistema competitivo destinado ao grupo de atletas que não têm aliciantes para se federar e para a falta de interesse dos atletas menos qualificados que deixam de querer participar nos torneios do Circuito Nacional.

Se os atletas não seniores são o futuro da modalidade há no entanto que não esquecer os atletas seniores (e eles começam a partir dos 19 anos) que têm todo o direito de participar com regularidade e com várias alternativas de competição.

E os atletas veteranos são igualmente uma classe que não sendo evidentemente prioritária em termos de futuro e de resultados competitivos (embora tenham igualmente os seus Campeonatos Internacionais como os outros grupos) devem merecer a devida atenção e ter os mesmos direiros que os atletas dos outros grupos.

Tanto os atletas seniores como especialmente os veteranos devem ter competições aliciantes que lhes permitam manter-se em actividade enquanto jogadores mas futuramente continuarem ligados à modalidade noutras áreas, como treinadores, árbitros e especialmente dirigentes, que é infelizmente a classe mais necessitada.

Por todas estas razões, os atletas, na sua globalidade, não devem ter apenas a possibilidades de participar em provas do Circuito Nacional e respectivos Campeonatos Nacionais organizados pela Federação.

Há que lhes dar, em alternativa ou como complemento, a possibilidade de outro tipo de competições, com outro tipo de provas sem ser a eliminar, que lhes permita efectuar muitos jogos sem grandes despesas de deslocação, prioritariamente destinadas aos atletas que se iniciam na modalidade e àqueles que têm menores possibilidades de participar naquelas competições de carácter nacional, que lhes trazem maiores despesas e poucas possibilidades de efectuarem muitos jogos.

Os Campeonatos Regionais e Zonais são as competições ideais como alternativa ou complemento das provas actuais de carácter nacional como as do Circuito Nacional.

Apenas poucas Associações têm em atenção a realização de torneios regionais para os atletas dos seus clubes filiados.

A Direção da FPB deveria ter isso em atenção, premiando as Associações que os organiza e incentivando as outras a fazê-lo e em último caso substituí-las na sua organização ou apoiando algum clube da sua zona a fazê-los.

Todos os atletas de todo o país deveriam ter a possiblidade de poder participar em Campeonatos Regionais organizados no sistema de séries que é o que permite efectuar mais jogos, especialmente para os mais fracos ou para os que estão a iniciar-se.

Os Campeonatos Zonais, que nem sequer existem, deveriam ser a oportunidade seguinte para os atletas começarem a competir com outros de zonas mais próximas, embora com despesas um pouco mais elevadas mas com distâncias relativamente curtas, a serem disputados por exemplo em competição mista de séries com fase final a eliminar.

Nestes campeonatos já deveriam participar, não todos os atletas, mas aqueles que já começam a destacar-se nos Regionais.

E então, numa terceira prioridade, os atletas, especialmente os melhores, participariam nos actuais Torneios a contar para o Ranking Nacional e que fazem parte do Circuito Nacional.

Por fim e já como actualmente se verifica, os 16 melhores atletas do Ranking terão acesso aos seus Campeonatos Nacionais, mas a disputar sempre a eliminar à 1ª. derrota em qualquer escalão etário ou categoria.

É evidente que poderá e deverá haver certamente outros tipos de competição de carácter mais particular ou destinados à divulgação e ao fomento da modalidade.

As várias Associaçãoe e seus Clubes filiados têm efectuado alguns desses torneios com muito sucesso.

Igualmente e com sucesso a FPB tem, desde o ano passado, realizado os Torneios de Divulgação, por todo o país, e especialmente destinados aos atletas federados mais fracos e a jovens atletas escolares que podem assim competir e medir qualidades com os atletas do sector federado.

No entanto estes torneios não deverão nunca ser encarados pela FPB como substitutos dos Campeonatos Regionais, mas sim como provas complementares.

Não nos devemos esquecer que estes Torneios de Divulgação são destinados apenas a atletas não seniores e de menor qualidade e os Campeonatos Regionais serem destinados a jogadores de todas as categorias e escalões etários.

Englobado num sistema competitivo que se pretende melhorado não se poderá esquecer igualmente as enormes vantagens da inclusão de provas de equipas pelo menos para alguns grupos.

Mas estas provas terão de ser diversificadas, a começar nos Regionais (a Associação da Madeira e a da Costa Azul são as que se preocupam com isso) e em Nacionais, provavelmente com fases de apuramento zonal.

As provas de equipas não deverão ser aquilo que temos tido, que são as realizadas num único fim de semana, a correr, com muito poucas inscrições e sem qualquer sentido útil a não ser o apuramento da Campeã Nacional de Equipas Mistas que irá participar na Taça dos Clubes Campeões Europeus.

O ideal seria que todos os clubes filiados pudessem participar pelo menos com uma equipa num determinado escalão, seja em campeonatos regionais, zonais ou nacionais.

O sistema competitivo de equipas deve ser estudado de forma a incentivar a participação do maior número de Clubes filiados, prioritariamente em seniores e se possível e por ordem também em não seniores e veteranos.

Devia dar-se prioridade a Equipas Mistas, mas dada a dificuldade de alguns clubes em ter um número mínimo de jogadoras poder-se-ia também organizar campeonatos para equipas Homens e se possível para Senhoras.

No entanto, a FPB deveria incentivar, no seu conjunto, todos os clubes com jogadores suficientes para poderem participar em provas de equipas, sejam em Regionais, Zonais ou Nacionais.

O que se torna urgente e importante para a modalidade é que todos os clubes federados possam participar pelo menos numa prova de equipas, seja de que escalão ou grupo for, mesmo que os regulamentos actuais tenham de ser alterados com a redução do número mínimo de atletas para formar uma equipa.

E, se for necessário, que se criem novas provas de equipas, mesmo sem ser com a atribuição de títulos nacionais, mas com o objectivo de que todos os Clubes possam participar.

O Calendário Oficial de Provas da época que agora começou tem o seu início em 11 de Outubro de 2008 e o seu termo em 7 de Junho de 2009, contando por isso com oito meses apenas de competição.

Com maior cuidado e trabalho de todos poder-se-ia evitar um período tão grande de paragem competitiva de 4 meses (ou seja, um terço do ano) para a maioria dos atletas federados.

Todas estas sugestões aqui apresentadas não pretendem prejudicar nem vão reduzir as acções actualmente previstas para os nossos melhores atletas de todos os escalões etários, assim como os estágios destinados à preparação das diversas Selecções Nacionais e a sua participação internacional.

Pelo contrário e em especial as provas de equipas só ajudariam a melhorar uma futura participação dos atletas numa Selecção Nacional.

Com estas alterações aqui propostas decerto que alguns dos actuais atletas não abandonarão o Badminton e outros verão na modalidade uma boa escolha de prática desportiva.

José Bento

Sem comentários: