Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON

José da Silva Bento

José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
Estão aqui reunidos todos os artigos antigos publicados no meu blogue desde 1/3/2008.

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ABSM - Associação de Badminton de São Miguel

Na apreciação que tenho vindo a fazer ao trabalho desenvolvido pelas Associações Regionais de Badminton chegou a vez da Associação de São Miguel.

Aproveitei um artigo publicado pelo Prof. Fernando Gouveia no seu blogue para fazer o meu comentário.

Aqui fica o excelente artigo sobre esta Associação onde fica bem demonstrado o trabalho realizado pela equipa comandada pelo Prof. Rui Costa.

A ABSM EM CRESCIMENTO

A Associação de Badminton de São Miguel foi fundada, em 29 de Setembro de 2005 e desde essa data tem vindo a realizar um importante trabalho de base.
O Badminton nos Açores era até então inexistente. A população em geral tinha uma ideia errada da modalidade e desconhecia o quão exigente é o Badminton quando jogado a sério. As poucas escolas que, de vez em quando, passavam pelo Badminton enquanto matéria, mesmo que alternativa, faziam-no quase de forma empírica, já que a grande maioria do corpo docente de Educação Física não teve qualquer formação relacionada com o Badminton na Universidade, aliás, como acontece a nível Nacional.
Mediante o quadro que se verificava, foi necessário definir linhas orientadoras para inverter a situação e tornar o Badminton uma opção credível na formação desportiva de qualquer cidadão. Assim, decidiu-se "investir" na formação do quadro docente, nas condições dos pavilhões desportivos e na divulgação /demonstração da modalidade nas escolas e através da Comunicação Social.
No que diz respeito à formação dos professores, foram realizados em São Miguel 4 cursos de treinadores, o último dos quais em Dezembro de 2008. Até à data, cerca de 60% dos professores de Educação Física de São Miguel já frequentaram o curso, tendo sido um êxito, dado a enorme qualidade dos formadores, e uma mais-valia na leccionação do Badminton nas escolas.
Para além da notória melhoria, tanto no número de aulas leccionadas, como na qualidade das mesmas, houve um importante transfere para os clubes, sejam estes escolares ou não.
Para quem conhece a realidade dos Açores, sabe o quão importante é o “Nível 1” de treinador para o desenvolvimento de qualquer modalidade, sem o qual não é possível abrir núcleos. Os núcleos, mesmo nos clubes escolares, funcionam fora da componente lectiva e não lectiva, acabando por ser um "extra" para os professores / treinadores, pagos através de contratos-programa celebrados entre os clubes e a Direcção Regional do Desporto. Este "incentivo" financeiro é, para os interessados, uma forma de melhorarem os seus rendimentos e, ao mesmo tempo, participarem de forma activa no desenvolvimento das modalidades da sua preferência. Isso aplica-se a todos os escalões de formação, iniciando-se no programa designado Escolinhas do Desporto (dos 6 aos 12 anos), para alunos de qualquer escola do primeiro ciclo do Ensino Básico, onde os responsáveis podem ter, um ou mais núcleos, cada um com o mínimo de 10 atletas e com um ou dois treinos semanais de apenas 45 minutos cada. É, afinal, uma forma de incentivar e cativar os alunos para um possível transfere para a competição, que é o patamar seguinte dos contratos-programa.
Os núcleos de competição, também com um mínimo de 10 atletas, podem ter lugar nos clubes ou escolas dos 2º/ 3º ciclo e secundário, com, pelo menos, dois treinos semanais de 90' e participação obrigatória nos quadros competitivos da Associação de Badminton de São Miguel. Para que fosse possível dinamizar os núcleos nas escolas e dar qualidade às aulas de Educação Física, para além da formação, foi necessário investir no mais básico – marcação de campos nos pavilhões.Nos 20 pavilhões de São Miguel, apenas existiam cerca de 15 campos marcados e, na grande maioria, isoladamente, sem qualquer função. Neste momento, a ABSM, através do seu responsável, professor Rui Costa, com a ajuda alternada de 3 ou 4 colaboradores, foram marcados por conta própria 81 campos. Infelizmente a grande maioria – 54, apenas de singulares. Foi a forma encontrada para ser autorizada a sua marcação, devido ao excesso de linhas já existentes. Mas antes assim do que nada.
De qualquer forma, ficou de pé a hipótese de os completar futuramente. A par desta "batalha", conseguiu-se que as escolas adquirissem um sistema simplificado de montagem de redes e os postes de suporte.
A formação dos docentes, a marcação dos campos e a divulgação nas escolas através de demonstrações, tem sido um trabalho extenuante mas com resultados fantásticos. Tanto que, em várias escolas, têm sido realizados torneios entre os 120 e os 160 participantes, quando há apenas três anos nada existia.
A qualidade dos praticantes, naturalmente será fácil constatar que é ainda de pouca qualidade , mas não será para desmotivar.
As bases estão lançadas. Basta agora manter a "velocidade de cruzeiro" na dinamização e retocar alguns aspectos menos conseguidos, para que comecem a surgir alguns valores, principalmente entre os mais novos.
O passo seguinte passa por iniciar a participação no "circuito" nacional.
Primeiro nos sub-11, só depois nos restantes escalões, de forma a minimizar o enorme handicap existente em relação aos atletas da Madeira e do Continente.
Felizmente a ABSM começa aos poucos a não estar dependente de uma única pessoa que, durante três anos, aguentou o barco e realizou todo este trabalho quase sozinho.Tudo teria sido diferente se o outro grande entusiasta, e tão carola como o primeiro, não tivesse falecido subitamente aos 37 anos, deixando um grande vazio num projecto pensado pelos dois.
Neste momento, começam a aparecer mais alguns colaboradores, nomeadamente para integrar os corpos-sociais e o gabinete técnico. A médio prazo será possível que apareçam alguns resultados práticos, até porque potencial e vontade de trabalhar não falta.

E o meu comentário, também publicado naquele blogue, foi o seguinte:

Parabéns ao Prof. Rui Costa e à sua equipa de colaboradores.

Este é um bom exemplo do trabalho que uma Associação Regional pode efectuar e contraria as ideias daqueles que as querem ver acabadas.

As boas Associações Regionais, como a de S. Miguel, nunca podem acabar mas sim devem ser cada vez mais apoiadas pelos orgãos federativos e oficiais.

Só um reparo: Sugiro que o passo seguinte não seja "passar por iniciar a participação no circuito nacional" mas sim que organizem muitos torneios regionais individuais e por equipas e alarguem o desenvolvimento da modalidade pelas outras ilhas dos Açores.

Para vir ao continente jogar só muito poucos atletas decerto terão essas possibilidades e o que eles mais querem e precisam é de muita competição.

Os melhores desses regionais poderão então ter um prémio de ir ao "circuito nacional".

E porque não o "circuito nacional" fazer uma prova em S. Miguel ?

Se S. Miguel é a região com mais atletas federados e já se vai fazer uma prova na Madeira logicamente que os Açores também têm ainda mais esse direito.

PS: O Badminton nos Açores diz-me muito a nível pessoal, pois fui eu que iniciei contactos, quando era director da FPB, na altura com o Prof. Pedro Afonso, para o processo de iniciação e desenvolvimento da modalidade.

José Bento
25/1/2009

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