Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON

José da Silva Bento

José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
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Badminton e Ténis - Comentário de Luís Neves

Olá José Bento

Primeiro quero dar-lhe os parabéns pela publicação da entrevista do novo presidente da FPT, é sem dúvida uma lufada de ar fresco nos Jornais Desportivos que vivem única e exclusivamente para o Futebol.

As semelhanças que eu encontro entre o Badminton e o Ténis é essencialmente o facto de ambos serem de desportos de raquete, já quanto as diferenças nós temos:

-O Presidente da FPT anuncia que o ténis terá 150.000 praticantes, bem eu não sei quais são os dados que lhe permitem chegar a tal número, mas se tomarmos esse número como correcto nós temos a volta de 8 praticantes por cada jogador federado, já que segundo o Site da FPT existem 19.200 jogadores Federados.

Se tal proporção fosse possível no Badminton, teríamos apesar do número reduzido de jogadores federados cerca de 10.000 praticantes, o que eu julgo não acontecer.

-Como causa do que foi dito, está essencialmente a visibilidade mediática que o Ténis tem e o Badminton não têm, apesar disso é aposta da FPT continuar a trabalhar no sentido de divulgar ainda mais o Ténis.

Ora aí está um aspecto que têm sido totalmente esquecido por parte da FPB, o fazer chegar ao conhecimento do grande público a existência do Badminton enquanto desporto, o que por cá se faz, as participações internacionais, etc.

Bem sei que não é fácil quebrar a ditadura do Futebol, mas é necessário fazer um projecto de fundo que vise a divulgação da nossa modalidade.

-Há outros pontos de interesse na entrevista (integral na “A Bola”) do Presidente da FPT que poderemos voltar sempre que for necessário.

Mas agora queria falar sobre o ponto principal da entrevista, e o qual o Presidente não se cansou de repetir:

“Embora possa parecer chavão, o maior desafio será unir as pessoas…”

e ainda:

“É um desporto individual, mas a organização é colectiva, o que quer dizer que tem de haver coordenação de esforços entre Federação, associações regionais e representativas de jogadores, treinadores, árbitros e clubes. “

e como conclusão:

“Isso consegue-se comunicando melhor.

Bem os meus caros amigos do badminton podem nesta altura estar a pensar, como estas palavras assentariam bem no nosso Presidente da FPB.

Mas isso não quer dizer que o problema de falta de capacidade de comunicação, de falta de capacidade associativa e como consequência a incapacidade de chegar a consensos, seja característica dos desportos de raquete.

È antes um problema estrutural do Povo Português e que se manifesta em todas as suas actividades sejam desportivas, sociais, culturais ou económicas, e basta pensarmos um pouco para encontrarmos exemplos disso mesmo na nosso dia a dia.

E o que é que isso tem a ver com o Badminton, bem seguindo o pensamento enunciado pelo Presidente da FPT e que eu pessoalmente apoio totalmente, só através do diálogo se conseguira evoluir, mas para que esse diálogo seja possível e dê resultados é também necessário que nós todos tenhamos consciência das nossas falhas de democraticidade, da nossa incapacidades de coabitar com as opiniões contrarias as nossas, e termos a noção que o caminho que teremos que percorrer para podermos chegar a consensos vai ser longo.

Há que deitar para trás das costas todos os “medos” e “fantasmas” que ainda nos atormentam, e que não nos permitem dar um passo em frente no desenvolvimento da nossa modalidade desportiva O BADMINTON.

Um abraço
Luís Neves

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