O Luís Neves é jogador do GRAJ e colaborador assíduo deste blogue.
Eis a sua opinião:
- O sistema que você propõe é sem dúvida o sistema ideal, mas para o qual terá que haver uma massa critica de jogadores suficiente, por ex 300 jogadores em cada distrito, dos quais 280 só iriam aos distritais 18 ou 19 só iriam aos regionais e 1 ou 2 estaria a competir no Nacional.
- Para que perceba melhor dou-lhe o exemplo do futebol. Seria manter o sistema competitivo actual do futebol onde temos 2 divisões distritais, 2 Nacionais dividido em varias zonas/séries e 2 Ligas nacionais somente com 200 clubes e obrigar a equipa principal desses clubes a disputar os distritais os nacionais e as ligas profissionais, pois seria a única maneira de haver “inscrições” em todas as provas.
-Para mim é óbvio, que tem que ser o número de atletas a condicionar o tipo de sistema e não o tipo de sistema a condicionar (ou fomentar) o número de atletas.
-Por outro lado cada vez mais me convenço que a única maneira de inverter a DIMINUIÇÃO do número de atletas é fazer um trabalho de muita qualidade na formação, nomeadamente na faixa etária de 7 a 10 anos só assim podemos almejar resultados em quantidade e qualidade de jogadores num futuro, e para isso acontecer terá que haver uma estratégia de fundo nesse sentido com objectivos bem claros, e não medidas completamente avulsas como têm sido hábito.
-Quanto ao Desporto Escolar com todos os méritos que lhe poderemos encontrar e que por decerto são muitos, não acredito que seja só por si a solução para aumentar o número de praticantes de uma maneira sustentável em quantidade e em qualidade, poderá sem dúvida ser um aliado muito forte da modalidade se a mesma criar as condições necessárias para poder “receber” os atletas formados no Desporto Escolar, coisa que neste momento está muito longe de existir.
-Além da situação lamentável que é a ausência total da educação do desporto no 1º Ciclo do Ensino Básico, que coincide exactamente com a faixa etária que na minha opinião é a mais importante não só na formação do indivíduo, como da captação do mesmo para a nossa modalidade, o que face ao facto de haver um pequeno número de clubes onde se pode praticar o badminton leva que os meninos quando chegam ao fim do 1º ciclo ou já tenham enveredado por outra modalidade ou tenham simplesmente passado ao lado de uma formação desportiva.
-É também por tudo isto que lhe digo que o sistema actual terá que ser impreterivelmente o resultado de uma profunda negociação com todos os que estão no badminton, e porquê?
Porque somos meia dúzia se fossemos 5.000 ou 10.000 aí já haveria espaço para fazer as coisas de uma maneira mais Institucionalizada, mas como somos poucos há que haver muito cuidado com as mudanças… pois não se pode correr o risco desses poucos abandonarem a modalidade.
-Espero que tenha ficado elucidado com a minha opinião sobre a sua proposta, mais uma vez lhe digo que o seu sistema é bom e desejável mas para o qual seria necessário muito mais jogadores dos que existem e esse aumento não irá acontecer só porque se muda o sistema competitivo ou os regulamentos, não será por “decreto de Lei” que se pode “obrigar” as pessoas a aderirem ao Badminton quando têm em alternativa um sem número de modalidades com mais visibilidade, mais organização, mais praticantes e muito mais “democráticas”…
Como conclusão diria que o seu sistema competitivo seria sempre um ponto de chegada e nunca um ponto de partida.
Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON
José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
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