A falta de transparência exercida pelos dirigentes desportivos não quer dizer que eles estejam a cometer irregularidades.
Havendo transparência e informação frequente dos actos praticados pode, no entanto, levar à descoberta de irregularidades, o que é diferente e por isso há a tentação de alguns dirigentes em os encobrir e evitar a sua divulgação.
Isto vem a propósito por haver quem ponha algumas reservas aos meus recentes comentários titulados “O Badminton no bom caminho...” acrescentando-lhes “ou não !”.
Têm de facto essas pessoas algumas razões em pensarem dessa forma negativa.
De facto ao longo dos anos têm havido situações que levam a pensar dessa forma.
Por vezes tem havido efectivamente falta de transparência para incobrir algumas irregularidades.
E tudo tem a ver com a ânsia do poder por parte de quem dirige a modalidade em vez de se preocupar mais em querer elevá-la e desenvolvê-la cada vez mais.
Já há muitos anos, ainda os votos dos clubes eram os únicos que decidiam as AG da FPB, que foram criados os embriões das futuras Associações Regionais, denominadas na altura de Comissões Delegadas da FPB e que começaram, modéstia à parte, com a minha iniciativa, enquanto colaborava com a Direção da Federação desse tempo.
Eram grupos de “carolas” da modalidade que na sua região organizavam actividades para o desenvolvimento da modalidade em colaboração com a Direcção da FPB.
Por isso eram Comissões Delegadas da FPB.
Depois o Prof. Monge Dias prosseguiu na FPB esse meu trabalho de criação das Comissões Delegadas e elas, mais tarde, foram sendo consolidadas em organizações denominadas Associações Regionais que se pressupunha mantivessem o espírito de funcionarem em colaboração com a FPB.
Mas isso não aconteceu pelo facto de ter havido uma nova Lei de Bases que substituiu os únicos votos dos clubes por votos atribuídos a essas Associações Regionais em representação das suas entidades filiadas.
Começou aí a “guerra” dos votos e a ambição pela manutenção do poder de quem estava na Federação e o desejo de controlar esses mesmos votos das Associações.
As Associações, pelo seu lado e em vez de trabalharem coordenadas com a Direcção da Federação e por esta devidamente apoiadas, passaram a ser grupos de interesse dos clubes e dos seus dirigentes em terem cada vez mais uma maior representação nas AG da FPB de modo a poderem alcançar esse poder e a fazer parte dos seus Órgãos Sociais.
Quem põe algumas reservas de que o Badminton estará ou não no bom caminho... com os mesmos dirigentes, tem de facto razão por alguns acontecimentos ocorridos no passado recente.
Aumento de clubes antes de AG importantes e uma baixa após as mesmas.
Pelos dados estatísticos publicados no site da FPB pode verificar-se, apenas como exemplo, que no final da época de 1999/2000 a Associação de Leiria tinha 10 clubes e no final de 2000/2001 passou para 126 e na época seguinte terminou com apenas 32.
A Associação de Lisboa e Setúbal passou de 45 clubes no final de 1999/2000 para 80 em 2000/2001 e no final da época seguinte voltou para 14.
Mais recentemente a Associação de Leiria que tinha no final de 2007/2008 apenas 4 clubes vai agora à próxima AG com 14 clubes.
Possibilidade de aumento de votos nas Associações existentes e tentativas para evitar a criação de novas Associações.
Algumas Associações Regionais, que deveriam ter um papel principal no devolvimento da modalidade, passaram a ter um factor prioritário de existência na forma como apresentavam os seus votos em AG, sem sequer ouvir e seguir as orientações dos seus associados.
A Associação de Treinadores, que foi criada para defender a classe dos seus associados, transformou-se numa forma de ter mais votos nas AG desprezando igualmente aqueles que poderiam ganhar com a sua existência.
A primeira Associação de Árbitos que foi criada igualmente para ajudar os seus associados foi logo atropelada por outra, criada à pressa e à revelia e por processos nebulosos e que acabou por ser a única ratificada em AG, de forma a evitar assim que o primeiro movimento pudesse ficar com alguns votos que provavelmente seriam desfavoráveis a quem estava no poder.
Igualmente uma Associação de Jogadores que foi eleita normalmente pela sua classe nem chegou a ser levada a AG para ratificação pelo facto de ter havido uma atitude repentina e inqualificável por parte de alguns elementos do continente (bastante responsáveis na modalidade, por sinal) que se deslocaram ao Funchal para com outros elementos responsáveis locais formarem uma paralela Associação de Jogadores que pudesse dessa forma contrariar a existência da primeira.
Houve falta de transparência nestes dois actos e no segundo tudo ficou por divulgar e esclarecer pois não convinha que se soubesse da sua realização e dos componentes nele envolvidos.
É evidente que a falta de transparência não cobre as acções que se pretendem esconder e tudo se vem a saber e a provar, e que mais tarde decerto ainda será melhor e devidamente explicado.
Mas com isso, com essa falta de transparência, conseguiram que a Classe de Jogadores desmobilizasse e não tenha ainda hoje a sua Associação devidamente legalizada na estrutura da modalidade.
Eleição de dirigentes com incompatibilidades para exercer os cargos e depois da AG regularizaram a sua situação.
Já todos sabem que houve directores que estavam incompatíveis para ser eleitos para a Direcção da FPB e agora, depois de já estarem no poder, têm vindo a regularizar a sua situação.
Todas estas situações, umas mais irregulares do que outras levam alguns a desconfiarem que o Badminton esteja no bom caminho.
Agora com o novo Dec-Lei 248 que aumenta substancialmente o poder dos praticantes (30% dos votos em AG) vai haver decerto uma tentação de promessas aos seus legítimos delegados para a orientação desses votos.
É por todo um passado recente e um futuro incerto que há quem duvide de que o Badminton esteja no bom caminho.
Até porque a maioria dos dirigentes continua a demonstar um apego inusitado ao poder.
Mas eu continuo a ter esperança de que agora, com este novo Dec-Lei, tudo passe a ser diferente e mais transparente até porque ele assim o exige obrigando os dirigentes à divulgação pública dos seus actos e relatórios de actividade e contas.
Para isso é determinante a responsabilidade e a posição que os votantes na próxima AG da FPB possam seguir aprovando uns novos Estatutos e Regulamento Eleitoral que não reduzam nem adulterem o estipulado no novo Dec-Lei 248 e pensem prioritariamente no que será mais útil para a modalidade.
Por isso estou confiante que as “jogadas de bastidor” que por vezes se descobriam mesmo havendo falta de transparência vão ser, no mínimo, reduzidas, obrigando os dirigentes a trabalhar a favor do engrandecimento da modalidade em vez de pensarem primeiro nos seus próprios interesses.
Eu acredito que alguns dirigentes têm capacidades mais do que suficientes para continuarem a trabalhar pela modalidade, até pelos bons actos que já prestaram, mas têm de se demarcar de grupos solidários e passarem a colaborar oficialmente ou particularmente em actividades a favor do Badminton nacional, na Federação ou nas Associações ou até fora de qualquer destes organismos, mas de uma outra forma, mais clara, mais dialogante, logo, mais transparente.
Se não quizerem seguir estes princípios, que considero fundamentais, agora recentemente decretados, é melhor que saiam dos seus cargos e dêm lugar a novos dirigentes com outras ideias e que usem formas mais democráticas nos seus actos.
Vamos acreditar que o Badminton está de facto no bom caminho...
José Bento
Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON
José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
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