O Luís Neves é sem dúvida um dos melhores colaboradores dos blogues de Badminton.
Através das suas inúmeras participações e trabalhos tem contribuído com as suas opiniões, no mínimo, para alertar todos os que estão ligados à modalidade para situações que merecem a nossa atenção e reflexão.
O Luís Neves é um exemplo para todos publicarem as suas ideias aproveitando as excelentes oportunidades que os diversos blogues de Badminton põem à disposição onde só alguns, poucos, se manifestam, embora outros, muitos, gostem de saber as opiniões dos restantes mas não querem ou têm receio de se pronunciar.
Dar a nossa opinião pode causar por vezes alguns incómodos em quem se vê confrontado com outras ideias, normalmente diferentes, e por essa razão deveriam querer entrar num salutar confronto de argumentos.
Mas também há outros que têm ideias muito semelhantes e que deveriam manifestar-se com os seus pensamentos seguindo e apoiando uma mesma linha de raciocínio.
No fundo, o melhor que os blogues têm é dar essa possibilidade a todos de se manifestarem (e não é necessariamente obrigatório ter de dizer mal de quem quer que seja, bem pelo contrário, seria bem mais agradável transmitir uma opinião positiva sobre qualquer facto ou atitude).
Tudo isto para referir que o Luís Neves colaborou mais uma vez ao enviar um artigo de Daniel Sá, publicado hoje no site http://www.scn.pt/ e que poderá ser útil a quem se vai preocupando com a melhor forma de divulgação das modalidades desportivas em geral e do Badminton em particular.
Quer arranjar patrocinadores? Tente entendê-los primeiro…
As modalidades desportivas são cada vez mais utilizadas pelas empresas para comunicar as suas marcas e produtos. Existem modalidades seculares e outros que têm conquistado espaço e notoriedade nos últimos anos. Mesmo as mais antigas, têm sentido a necessidade de se adaptar aos novos tempos seja através da alteração das regras, formatos competitivos ou organização dos modelos competitivos. Numa óptica de marketing propomos uma divisão das modalidades em 10 segmentos distintos: artes marciais e lutas, motorizados, náuticos e aquáticos, nicho, aventura, frio, calor, massas, novos desportos e culto do corpo e bem-estar. Trata-se de uma forma de entender o que buscam as empresas quando apostam no desporto.
Num primeiro grupo podemos identificar as modalidades ligadas às Artes Marciais e Lutas. Neste grupo podemos encontrar modalidades como Aikido, Boxe, Capoeira, Full Contact, Jiu-Jitsu, Judo, Karaté, Kung-Fu, Shotokai ou Taekwondo. Algumas destas modalidades são milenares e estão associadas a rituais de origem oriental. Exigem enorme disciplina e rigor aos seus praticantes sendo consideradas excelentes modalidades para o desenvolvimento físico e indução de regras de comportamento. Nos últimos anos tem sido explorada a vertente de defesa pessoal, sendo procurada por muitas pessoas para fazer face ao sentimento de insegurança crescente na sociedade actual. Não costumam produzir grandes eventos, atrair grandes patrocinadores ou audiências televisivas significativas.
Ao nível dos desportos Motorizados podemos encontrar modalidades como Automobilismo, Motociclismo, Motonáutica, Karting ou Motocross. Muito ligada à indústria das motas e automóveis este grupo de modalidades sempre viveu rodeada de somas avultadas. As marcas têm utilizado as equipas de competição como forma de evidenciar a sua supremacia e todos os negócios complementares (pneus, combustíveis, lubrificantes ou acessórios) têm transformado estes eventos desportivos em sucessos altamente rentáveis. A exposição mediática é mundial, os patrocínios são avultados e as audiências são verdadeiramente globais.
Nos desportos Náuticos e Aquáticos encontram-se modalidades como o Bodyboard, Canoagem, Caça Submarina, Esqui Aquático, Mergulho, Natação, Remo, Surf, Vela, Wakeboard ou Windsurf. O elemento água foi sempre decisivo para a sociedade, fundamental até para a nossa sobrevivência, e tem sido também bastante explorada em termos de actividade desportiva. Seja em rio, mar ou recintos construídos pelo homem são inúmeras as possibilidades de praticar desporto com água. Algumas destas modalidades têm pouca atenção mediática mas outras conseguem atingir audiências e captar patrocínios de elevado significado.
Ao quarto grupo apelidamos de desportos de Nicho, ou seja, modalidades que se dirigem a segmentos específicos da nossa sociedade. De um leque alargado de modalidades podemos encontrar conceitos muito diferentes como a Columbofilia, Esgrima, Golfe, Pólo, Hipismo, Squash, Pesca, Tiro, Tiro com Arco, Xadrez, Badminton, Críquete, Corfebol, Curling, Halterofilismo, Minigolfe, Ténis de Mesa, Triatlo ou Pólo Aquático. Estas modalidades são aproveitadas por marcas que querem trabalhar segmentos específicos pelo que algumas delas conseguem obter índices de rentabilidade muito interessantes.
Com maior crescimento nos últimos anos surgem os desportos de Aventura apresentadas em modalidades como o Mountain Bike, Montanhismo, Balonismo, Orientação, Parapente ou Escalada. Têm em comum o facto de serem desportos que proporcionam um contacto muito próximo com a natureza sendo por isso bastante valorizados por um número crescente da população actual. Mantém-se à margem dos grandes eventos, patrocínios ou audiências.
Com pouca ou nenhuma tradição no nosso país devido aos factores climatéricos existem ainda os desportos de Frio, tais como o Esqui, Snowboard, Hóquei no Gelo ou Bobsleigh. Nos países com climas mais propícios são praticados durante todo o ano constituindo-se alguns como enormes espectáculos de entretenimento e diversão e produzindo regularmente verdadeiras estrelas mediáticas.
Em contra-ponto surgem os desportos de Calor, onde normalmente aparecem as variantes dos desportos clássicos, nomeadamente Andebol de Praia, Futebol de Praia, Rugby de Praia ou Voleibol de Praia. Este tipo de variantes, geridas pelas respectivas federações, sofrem algumas adaptações para poder funcionar nas praias. Para além de já contarem com um público fidelizado acabam por atingir novos segmentos aproveitando o facto das competições terem lugar em locais de grande afluxo de pessoas. São desportos de enorme espectacularidade, normalmente associados a música e juventude, e atraem grandes multidões, patrocinadores e atenção mediática.
No oitavo grupo de modalidades temos aquelas que mais directamente se dirigem às grandes Massas. Aqui os exemplos são vários, podendo ser apontado o Andebol, Basquetebol, Futebol, Futsal, Hóquei em Campo, Hóquei em Patins, Rugby, Voleibol, Ciclismo, Ténis ou Atletismo. Podemos também apelidá-las de modalidades clássicas, pois existem há várias décadas e fazem parte inclusive da formação escolar na maior parte dos países. Sendo modalidades de grande popularidade, são seguidas por muitos espectadores, alvo de inúmeras transmissões televisivas e capazes de atrair grandes somas dos patrocinadores.
As novas gerações têm sido pródigas em fomentar o aparecimento de Novos Desportos. Aqui as novidades são constantes, muitas vezes não passam de modas efémeras, mas outras persistem no tempo como o Aggressive Inline, Skate, BMX, Wrestling, Kitesurf ou Paintball. As novas gerações dão-lhes tal importância que surge uma indústria forte a suportar todos os negócios envolventes. Não deixa de ser relevante a existência do canal Eurosport 2 dirigido especificamente a este tipo de modalidades ou o incrível sucesso dos X Games, espécie de jogos olímpicos radicais nos Estados Unidos da América.
Por último e, seguindo as actuais tendências da sociedade, surgem os Desportos vocacionados para o culto do corpo e bem-estar tais como o Culturismo, cardio-fitness, yoga ou as inúmeras modalidades do fitness. Para além da busca da perfeição corporal, este tipo de modalidades está também intimamente ligada a relações sociais fortes entre os seus praticantes.
Daniel Sá
daniel.sa@scn.pt
Co-Autor dos Livros “Sports Marketing: As Novas Regras do Jogo” e “Marketing para Desporto: Um Jogo Empresarial”. Professor de Marketing e Director do IPAM Matosinhos. Licenciado em Gestão de Marketing pelo IPAM. Mestre em Gestão do Desporto pela Universidade do Porto.
Nascido em Moçambique, em Lourenço Marques, casado, com dois filhos e três netos (uma rapariga e dois rapazes) e uma longa e dedicada ligação ao BADMINTON
José da Silva Bento
Meritorious Service Award da IBF (Federação Internacional de Badminton) - Sócio de Mérito com Distinção da FPB (Federação Portuguesa de Badminton)
Estão aqui reunidos todos os artigos antigos publicados no meu blogue desde 1/3/2008.
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