Eu sei que sou suspeito.
Com orgulho, relembro as provas que ajudei a organizar em Espinho nas duas últimas épocas … e ainda está fresco na memória o torneio de veteranos do passado sábado. Sim, sou suspeito, mas quero dizer isto!
No próximo fim-de-semana vou com os atletas da Académica de Espinho para a prova que se realiza em Mafra.
Confesso que, mais uma vez, estou preocupado e apreensivo: sábado, temos que sair da cama às 5.30 da manhã – não há condições económicas para ir na sexta e os afazeres profissionais e familiares de alguns não o permitem.
Às 10.00 temos que estar a jogar em Mafra (são 300 Kms. a percorrer, numa viatura de 9 lugares com 25 anos …).
O torneio vai ser feito em 9 campos.
Para sábado estão marcados 208 jogos!
E deviam ser 250, se os 1/4 finais não tivessem que ser jogados no domingo de manhã. Os últimos jogos estão marcados para as 22.00 horas.
Isto vai acontecer porque, MAIS UMA VEZ, alguém descurou e desleixou a organização da prova.
Não chegou o que se passou anteriormente?
Voltemos, então, atrás: - 1ª Jornada – Alcobaça: estivemos todos “a monte” dentro do pavilhão, não havia onde toda a gente se sentar.
Com 9 campos, “despacharam” o assunto; claro!
O torneio até teve que mudar de local (porquê? quantas vezes?) à última da hora, das Caldas para Alcobaça.
- 2ª Jornada – Portimão … qual quê? MEXILHOEIRA GRANDE! com todo o respeito pelos “Grandes Mexilhoeiros”, ou “Mexilhões” (os naturais da terra …).
Eram só uns 15 Kms. até Portimão e mais alguns até à Praia da Rocha, onde nos indicaram o alojamento.
O pavilhão da escola era lá ao fuuuundo… da aldeola e até era bom.
E até tinha uma máquina para comprar chocolates … onde comprar água é que não … e como a organização não cuidou do pormenor, tivemos que ir a uma taberna com cheiro a aguardente de medronho e as mesas cheias de garrafas de “minis” (já bebidas).
Para comer foi mesmo preciso ir estrada fora, porque lá na aldeia não havia.
- 3ª Jornada – Évora – torneio para cat. C e D: aquilo não podia acontecer!
Naquele pavilhão (muito bom !!) nunca se tinha jogado badminton.
O torneio não se devia ter realizado, pois a quantidade de luz solar que incidia nos campos não permitia a visibilidade mínima exigível para se poder jogar badminton.
O pavimento (com acabamento em verniz brilhante) reflectia a luz do sol.
Chamaram juízes árbitros coordenadores, directores, assistentes e adjuntos e mais não sei quem.
Colocaram umas (poucas) redes escuras nalgumas (poucas) janelas.
E resolveram que havia torneio.
Que falta de respeito por quem saiu de casa na sexta-feira e fez mais de 500 kms. para chegar à lindíssima Évora.
Para não falar do dinheiro gasto na deslocação, alojamento, etc.
Mas às 16.00 horas tudo teve que ser interrompido – havia jogo de basket! e queriam reiniciar os jogos de badminton lá para as 19.00 horas!
Valeram os pezinhos de coentrada … domingo cheguei a casa eram umas 11 da noite, já os meus filhos estavam a dormir.
É preciso ser maluco!
- 4ª Jornada – Parchal e Lagoa – em protesto contra tudo o que já ficou dito (embora pela rama), a Académica de Espinho NÃO SE INSCREVEU!
Quem tiver nisso interesse, acrescente aqui as “misérias” que ocorreram, por exemplo, nos torneios dos Não Seniores (do pavilhão de Alhandra ao de Vialonga eram 15 Kms., etc. etc.).
Importa apurar os responsáveis, claro que sim!
Com todo o respeito que eles me possam merecer, a sua INCOMPETÊNCIA é manifesta. Eles fazem o seu melhor?
Se isto é o melhor que sabem e que podem fazer, convenhamos que é muito pouco, ou melhor, é demasiado mau.
Não vale a pena estar com meias palavras – devem ser substituídos!
Mais importante, agora, é actuar positivamente.
O calendário de provas para a época 2008/2009 já devia estar publicado!
As Câmaras Municipais têm que ser contactadas muito antecipadamente para marcar pavilhões com qualidade.
Na zona Norte, na zona Centro, na região de Lisboa, na Madeira (!) e na Zona Sul, a Federação deverá ter pessoas a estabelecer contactos com as entidades que podem disponibilizar espaços com qualidade suficiente para ali se organizarem torneios de badminton.
Este ano não se organiza o Torneio de Espinho! Pois não! Quando voltará a ser organizado? Não sei! pois da forma como o Circuito Nacional foi este ano pensado (terá sido?), não é possível.
Além disso, quem faz bem as coisas TEM de ser devidamente compensado e isso não tem acontecido.
Na Académica de Espinho vamos tentar que os Nacionais de Equipas Homens e Senhoras, a 7 e 8 de Junho, na Nave, compensem alguma coisa …
António Augusto Ínsua Pereira
Comentário de José Bento:
Nota-se efectivamente um decréscimo na generalidade das organizações.
Nesta época igualmente se verifica um retrocesso na qualidade dos prémios.
Antigamente a responsabilidade era de algumas Associações.
Depois a Direcção da FPB assumiu a atribuição dos prémios como sua responsabilidade e eles melhoraram substancialmente e na minha opinião até eram um pouco exagerados. Agora, não sei porquê, a Direcção da FPB passou a atribuir prémios de muito pouca qualidade, lembrando os "plásticos" do antigamentede.
Sugiro à FPB que corrija esta situação e coloque os prémios com uma qualidade aceitável sem cair nos grandes modelos.
Também a arbitragem tem vindo a decair de qualidade.
Muitos torneios já não têm árbitros próprios.
O Departamento de Arbitragem da FPB está há já muito tempo entregue apenas ao seu Presidente.
Não se notam quaisquer melhorias no sistema e também se desconhecem as causas para que esta situação se mantenha há várias épocas.
Será por que esse Departamento nunca teve um orçamento próprio ?
Também as provas principais já não são jogadas em tapetes, outro factor que piorou bastante até com resultados negativos não só para o público mas também para os atletas.
Sobre as diversas organizações penso que haverá vários factores que contribuiram para a sua fraca qualidade.
Os reduzidos subsídios atribuídos pela FPB às Associações, a falta de candidaturas, por esse facto, levam a que os torneios do ranking sejam organizados "a correr" e "em cima da hora" com soluções urgentes e de remedeio.
A FPB e a sua Comissão Técnica, que normalmente não assistem à maior parte dos campeonatos, nem chegam a aperceber-se do que se vai passando nos últimos anos. Quando das poucas vezes que os directores até estão presentes não elaboram relatórios nessa função porque se consideram jogadores, treinadores ou simplesmente público e sem ter essa responsabilidade.
Com o novo sistema de vários torneios para todas as categorias numa mesma zona leva por vezes a pavilhões afastados bastantes kms.
Houve uma redução de custos e uma melhoria na centralização de provas, havendo agora o cuidado e o controlo por parte da FPB em não permitir casos de exageros no afastamento dos locais.
No entanto entendo que a FPB deverá premiar e atribuir subsídios especiais às organizações que prestem bons serviços e tenham um papel mais interventido e atempado na atribuição das organizações às Entidades mais responsaveis.
José Bento
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